Não é caldo...

quarta-feira, dezembro 25, 2002

Este foi o Natal mais bizarro da minha vida.

terça-feira, dezembro 24, 2002

Texto muito engraçado sobre o primeiro aniversário de Mano Wladimir, filho de Marisa Monte. Não sei quem é o autor, recebi por mail:

Mano Wladimir está tenso. No colo da mãe, Marisa Monte, ele ainda não conseguiu entender exatamente o que está se passando. Ao seu lado, Carlinhos Brown conversa com Wally Salomão, que cita uma poesia de Caetano Veloso, que dá um brigadeiro orgânico (sem chocolate e sem leite condensado) para Zeca, que leva um pito da mãe, Paula Lavigne. Mano Wladimir está tenso. É a sua primeira festa de aniversário. "Criança sã/De uma rã/Guardiã/Eu sou seu fã/Na manhã/Aramaçã/Cunhã". A música infantil escrita por Arnaldo Antunes especialmente para a festa é a trilha sonora da dança das cadeiras. Nada da Turma da Mônica, nada de atores desempregados vestidos de Pikachu. Aqui a coisa é diferente.

MM resolveu ser mãe em grande estilo e contratou a Companhia Bufa de Artes e Performances do Absurdo para animar a festa. Fantasiado de Ed Motta, um ator recita de trás para a frente toda a obra de Eça de Queiroz para algumas crianças. Do outro lado da sala, um grupo de clowns (sim, porque numa festa como essa é proibido ter palhaço) ensaia uma volta à posição fetal enquanto ostenta reproduções dos parangolés de Hélio Oiticica. Num canto, Carlinhos Brown dá uma entrevista para uma repórter da revista Bravo, escalada especialmente para cobrir o evento. - E aí, Brown? Está feliz com o primeiro aninho do Mano Wladimir? - É uma coisa da modernidade nagô, no que tange a referência espaço/tempo do ciclo da história humana. O cósmico supremo da realização superlativa, a poética da bioenergia enquanto motor da sublimação ótica. É onde o eu e o tu fundem-se na epiderme inconsciente. - E o que você deu de presente para ele? - Pensei na questão do pacifismo, na guerra como catalisador das emoções humanas ao mesmo tempo em que atrai e repudia o ser. A máquina ceifadora que gera vibrações orgônicas, que tangencia e descontinua a unidade solar dos povos. - Como assim? - Eu dei um boneco dos Comandos em Ação... Enquanto as crianças não podem comer o bolo de cenoura, aniz e mel de cana - que traz estampado uma reprodução de O Abaporu, de Tarsila do Amaral, em sua cobertura - Marisa Monte serve a elas copos de suco de gengibre e balas de cravo da Índia.

Até que Paula Lavigne tem a idéia de chamá-las para um karaokê. Quem começa a brincadeira é Benedito Tutankamon Pedro Baby, cinco anos e filho de um dos roadies de Arnaldo Antunes, que canta O Avarandado do Amanhecer, de Caetano Veloso. Em seguida é a vez de Zabelê Tucumã Nhenhé Çairã, três anos e filha da empresária de Carlinhos Brown, que canta Ana de Amsterdã, de Chico Buarque. Ao saber que a próxima criança a cantar é a impronunciável Zadhe Akham Mahalubé Sinosukarnopatrionitnafilewathua, filha da copeira de Marisa Monte, Paula Lavigne acha melhor suspender o karaokê. É hora do Parabéns a Você. Os convidados reúnem-se em torno da mesa. E então, Marisa Monte anuncia uma surpresa: quem irá cantar o Parabéns é Carlinhos Brown. Brown, que andava meio sumido depois de sua entrevista para a Bravo, aparece vestido com um cocar feito de canudinhos de plástico, uma camisa de jornal e uma tanga de folhas de bananeira. Atrás dele, 315 percussionistas da Timbalada, um videomaker e quatro poetas marginais. Brown pega um garrafão de água mineral e começa a cantar sua versão para Parabéns a Você: - Vim para cantar/A tropicália alegria de um povo/Azul, badauê, zumbi/Ela não me quer/Mas sou um tacle regueiro/Viva o divino samba de João/Monarco na rua/Meu bloco chegou. Arnaldo Antunes se empolga e começa a recitar poesias descontroladamente, Marisa Monte gorgeia e improvisa algumas melodias, a Timbalada toca um samba-reggae, Paula Lavigne cai na farra e Caetano acha tudo "lindo".

O videomaker filma tudo e Wally Salomão escreve o release. Os poetas marginais aproveitam a confusão para roubar uns docinhos. Um executivo de uma grande gravadora, que entrou de penetra, contrata todos os presentes e promete CD, DVD, livro, críticas favoráveis no New York Times, participação de David Byrne e especial de televisão. Para comemorar, Arnaldo Antunes põe um disco de Lupicínio Rodrigues. O ator vestido de Ed Motta cospe fogo. Marisa Monte lê Mário Quintana em voz alta. Mano Wladimir chora. É a sua primeira festa de aniversário.

segunda-feira, dezembro 23, 2002

Atuais sonhos de consumo:

O livro 'Os 100 melhores contos de crime e mistério', que traz textos das mias variadas origens, desde a Bíblia até Rubem Fonseca, passando por Raymond Chandler, Dashell Hammet, Poe e Machado de Assis.

A coleção de CDs 'When the Sun Goes Down: the Secret History of Rock'. São quatro discos que mostram como a música negra americana foi se modificando até se transformar no bom e velho rock´n´roll.

Quem ainda não comprou o meu presente, já sabe o que me dar de Natal.
Dia de luto: Morreu Joe Strummer, líder do grupo The Clash.

sábado, dezembro 21, 2002

Muito boa está a seleção de charges do Angeli sobre a era FHC. Confira aqui
Hoje salvei a vida de um amigo.

Chego em casa e vejo sobre a mesa uma lata de sopa Campbell (aquelas que Andy Warhol imortalizou) de sabor camarão. Pergunto para o Marlos de onde surgiu aquilo.

- Estava na dispensa. Tenho que comer até janeiro, antes que estrague.

Olho a lata e ela está totalmente enferrujada.

- Onde está a data de validade?

Ele mostra. Olho e está escrito lá: 28 jan 2002.

- Marlos, deixa eu te explicar uma coisa. Nós ESTAMOS em 2002, indo para 2003...

quarta-feira, dezembro 18, 2002

Terminei de ler 'Caos Total', de Jean-Claude Izzo, escritor francês que começou a escrever aos 50 anos e infelizmente morreu cinco anos depois. Izzo cresceu em Marselha, uma cidade portuária da França, que fiquei com vontade de conhecer. Ele descreve com maestria a cidade, com seus bares, gangstêres, putas e os bairros da periferia que foram tomados por imigrantes, principalmente árabes.

Como em 'Assassinos sem rosto', do sueco Henning Mankell, o livro aborda o problema do preconceito contra os imigrantes na Europa e mostra o crescimento da ultra-direita. Mas tudo isso é o pano de fundo para a história de três amigos que cresceram juntos nas ruas de Marselha, praticando pequenos furtos. Quando em um desses assaltos, quase matam um homem, Fábio decide abandonar a marginalidade e virar policial. Manu prossegue no submundo marselhese e Ugo sai pelo mundo. Quando Manu é assassinado e Ugo morre ao tentar vingar sua morte, Fábio decide ir até as últimas conseqüências para descobrir os assassinos. e descobre uma grande trama que envolve mafiosos italianos e neofascistas.
Trocando mails com uma amiga ela comentou que ainda nem tinha tido tempo de comprar uma árvore de Natal para a sua casa nova. Foi aí que me dei conta que eu também não. Nem tinha me tocado disso. Deve ser porque vou passar dia 24 e 25 trabalhando.

Mas pelo menos no Ano Novo estou de folga. Só falta arrumar onde passar o revéillon.

segunda-feira, dezembro 16, 2002

Crônica de uma roubada anunciada

Quando cheguei à Marina da Glória eu já sabia que estava indo para uma roubada. Aliás, sabia disso desde que Valente me chamou para ir a uma festa em um barco (primeiro indício da roubada), pagando 30 real e com comida e bebida liberada. O pessoal da tecnologia do Globonews.com ia em peso (segundo e fortíssimo sinal de roubada). Mesmo assim acabei indo. Afinal, pensei, nada pode ser pior que ficar em casa sozinho comendo pizza e trocando de canal a procura de algo bom na TV. Eu estava errado, muito errado.

Quando avistamos o barco, nem quis acreditar que era naquilo que iríamos singrar as águas da Baía da Guanabara. André (quem conseguiu convencer todo mundo a ir) foi se informar. Ficou uma hora conversando na entrada do barco, nos ignorando. A turba já começava a procurar paus e pedras para começar o linchamento. No final, o barco era aquele mesmo. Embarcamos e eu fui logo atacar a comida (não tinha jantado e queria fazer meus trinta real valer a pena). Só pãezinhos e pastinhas. Como a fome era negra, fiz logo uns cinco big sandubas.

Para beber só cerveja, em tanques espalhados ao longo do barco. Pelo menos tinha muita cerveja. Fomos todos para a proa, sentar e beber.
O som ainda não estava rolando porque é proibido dentro da marina. Depois de várias horas, finalmente zarpamos e após algum tempo, começou a música. Teria sido melhor se não tivesse começado.O pior do bate-estaca começou a rolar enquanto o barca ia em direção à ponte Rio-Niterói. Quanto ao público, composto basicamente por casaizinhos, garotões metidos a playboys, algumas gatinhas, e algumas pegáveis. Ou seja, desisti logo de qualquer esperança de azaração. Festa em barco tem o problema de não poder ir embora, mas também tem o problema de você saber que não vai chegar mais ninguém. Sem qualquer chance alguma mulher interessante aparecer no meio da noite.

Ah, outro problema: o banheiro. Você já viu o banheiro de um veleiro? Se não, nem queira. E para piorar, sempre tinha filas enormes. Cogitei seriamente de usar a baía como privada, mas fui dissuadido.

Nisso, o barco já tinha passado por debaixo da ponte, feito a volta e rumava para a Urca. E foi lá o que estava ruim ficou péssimo. O DJ resolveu nos presentear com uma sessão de axé, seguida de muito funk. Pelo menos dava para rir da galera do suporte mamada dançando e cantando todas as músicas. Com coreografia ensaiada.

Às 4h da matina, estava desembarcando, pensando no que eu tinha perdido de bom na TV.

sexta-feira, dezembro 13, 2002

Gosta de ping-pong mas não tem uma mesa para poder jogar? Aqui você não precisa de mesa nem de raquete, só do seu mouse. E você pode inclusive desafiar Forrest Gump para uma partidinha.

quinta-feira, dezembro 12, 2002

Começa a acontecer com DVDs o mesmo que já acontece com livros. Ou seja, compro, compro mas não tenho tempo de ver/ler. Minhas últimas aquisições foram dois clássicos do mestre Stanley Kubrick - 'Laranja Mecânica' e '2001 - Uma odisséia no espaço' - e o considerado por muitoas listas de críticos o melhor filme do século XX: 'Cidadão Kane', de Orson Welles. E claro, mais um livro para minha estante improvisada: 'Sobre Meninos e Lobos', de Dennis Lehane.

terça-feira, dezembro 10, 2002

Ontem teve a festa de fim de ano do pessoal do Info Etc. De novo foi no lindo apartamento da Cora, com uma bela vista para a Lagoa. A festa, como sempre, foi excelente, muito bem organizada pela Luiza. Comida da melhor qualidade e cerveja gelada e um papo muito agradável.

Como todos os anos, o clímax da festa é o amigo oculto, sorteado na hora. Este ano, por sugestão do C@t, os presentes tinham que seguir o tema dos sete pecados capitais (eu sempre só me lembro de dois: luxúria e gula). E quem me tirou foi justamente o C@t que me presenteou com um Kit Selvageria. Uma caixa de sapatos contendo: uma lata de leite condensado, pétalas de rosa e um chicote e instruções:

1 - Besuntar o corpitcho de sua alma gêmea, sem parcimônia alguma, com generosa camada de doce de leite.
2 - Espalhar pétalas de rosas vermelhas por sobre a grudenta superfície.
3 - Aplicar dóceis ou violentos golpes de chibata.
4 - Deixar que a Natureza flua, encarregando-se do resto.


Candidatas a usarem o kit comigo, por favor mandem mail com fotografia de corpo inteiro.

quinta-feira, dezembro 05, 2002

Esqueçam Corinthians x Fluminense, o grande jogo de ontem foi disputado em um lugar bem distante do Morumbi e foi uma partida bem mais emocionante e cheia de lances de perigo. A seguir, a crônica escrita por Daniel Chaves (e por isso totalmente tendenciosa).

Criação dá show e goleia editorial
Velho: "Foi a vitória do futebol-moleque"




Quase 3h da madruga e o GN3 dava pau mais uma vez. Era a senha para o inevitável acontecer: uma desafio de futebol entre criação e editorial no campo de várzea antes ocupado pela redação do Globo On Line. Os times foram escalados e assim que a bola rolou ficou claro a diferença ténica entre as duas equipes. De uma lado Mauriçola, Velho e Dani "El Loco" Chaves começavam a tocar a bola com categoria, se movimentavam por todos os lados do campo e marcavam duro (mas com ternura...). Do outro lado, Maggiolino, Sete-Bello e Marangón praticavam o tradicional estilo inglês de jogar bola: muitos chutões e jogadas aéreas, mas sem eficiência, talvez por se esquecerem que o gol tinha, se muito, um palmo de altura. O resultado não podia ser outro: 7 a 2 para a equipe da criação com direito a jogadas de pura arte que lembraram os anos dourados do futebol brasileiro. E a impressão que se teve ao final do jogo é que poderia ter sido de mais, tamanho o domínio e a categoria da equipe da criação. Na verdade, não fosse a intervenção (providencial) do treinador Eloy "Sempre Atento" Jupiara e a equipe do editorial teria saído humilhada do estádio olímpico Marquês de Pombal.




Vamos as atuações:

Equipe Editorial:
Maggiolino - Andou se atrapalhando um pouco com a bolinha. Talvez o fato do seu pé ser "muito" maior que a redonda tenha sido a causa de tanta
complicação. Ficou devendo um golzinho

Sete-Bello - O estilo italiano de jogar: muita combatividade atrás (ops!) e muita voluntariedade na frente (ops!). Em alguns momentos trombava tanto que fez muitos torcedores (?!) imaginarem que estivessem diante de um novo Vieri. Fez os dois gols de sua equipe e foi o único que representou algum perigo ao gol adversário. Mas como qualquer jogador de seleção italiana que se preze, se perdeu na falta de criatividade e por achar que joga muito mais do que realmente joga

Marangón - Abriu os trabalhos fazendo um gol contra (coisa difícil em pelada de golzinho). Depois ficou a maior parte do tempo colado a trave, talvez para evitar novos gols contras

Equipe da Criação:
Mauriçola - Começou correndo loucamente, lembrando o filho do vento. E como ele, tbm não fazia gols e só servia os companheiros. Depois sentiu o peso
(literalmente) do esforço e acabou a partida como o Romário: paradão lá na frente, com a mão na cintura, esperando a bola chegar e fazendo seus golzinhos

Velho - O futebol-arte, no sentido mais literal possível. Fez de tudo em campo: gingou, dançou na frente dos advesários, drible da vaca, chapéu, pirueta, rabo-de-arraia e simulou um pênalti se jogando ao melhor estilo Euller. Pena que foi na área do seu próprio time. Ainda sim não deixou de jogar sério e duro: abriu a caixa de ferramentas e quase fez uma obturação (ou seria uma operação de apêndice sem anestesia) no adversário italiano, com uma tesoura voadora que lembrou Jr. Baiano nos seus melhores dias

Dani "El Loco" Chaves - Inexplicável atuação: correu locamente parecendo estar perdido em campo, mas deu sorte de aparecer no momento certo e no lugar certo para deixar duas bolas nas redes adversárias. Quando se meteu a jogar na defesa andou perdendo umas bolas fáceis. Sua atuação lembrou a de Roni no jogo de ontem contra o Corinthians, até porque, como o jogador tricolor, não é toda hora que ele faz dois gols em uma única partida

quarta-feira, dezembro 04, 2002

Ontem trabalhei de manhã e por isso sai cedo. Aproveitei para ir ver o segundo filme do Harry Potter. Para quem não sabe, sou fã dos livros do bruxo. Já li os quatro primeiros e aguardo ansiosamente o lançamento do quinto.

O filme é bom, melhor que o primeiro. Me diverti muito, mesmo sabendo de toda a história. Um outro dia falo mais de Harry Potter, ando com muita preguiça de escrever.

segunda-feira, dezembro 02, 2002

Finalmente terminei de ler 'Tablóide Americano', do genial James Elroy, e agora leio 'Caos total', de Jean-Claude Izzo. Não conheço esse autor, mas pelo primeiro capítulo o livro promete. A história é sobre um policial que trabalha combatendo o submundo do crime da cidade francesa de Marselha. Só que ele mesmo foi criado nos bairros pobres e seus amigos se tornaram bandidos. Quando dois deles são executados, ele vai fazer de tudo para punir os assassinos.

Ah, se alguém tinha pensado em me dar de Natal os livros do Gaspari (o que eu duvido), esqueçam. Já comprei os dois livros e de quebra comprei também 'O livro das ilusões', de Paul Auster.

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Comments by: YACCS